O QUE É LOGÍSTICA REVERSA

janeiro 19, 2011 § 3 Comentários


O objetivo deste artigo é esclarecer o que é a logística reversa pós-venda e  pós-consumo, de modo a conceituar corretamente estas operações.

Ao contrário do que alguns podem pensar a logística reversa existe já faz algum tempo, os primeiros estudos da logística reversa  (empresarial) surgiu   nas décadas de 70 e 80 (LEITE, 2005 p. 2),  um pouco depois dos primeiros estudos da  logística empresarial, que começou a ser estudada aproximadamente por volta dos anos 50 e 60 (BALLOU, 1993).  Para maiores referências sobre a origem da logística consulte A Logística no Âmbito da História.

‘Os primeiros estudos sobre logística reversa são encontrados nos anos 70 e 80 tendo seu foco principal relacionado com o retorno de bens para serem processados em reciclagem dos materiais, sendo denominados e analisados como canais de distribuição reversos.’
LEITE, 2005.

O aperfeiçoamento da logística reversa ocorreu junto com o aperfeiçoamento da logística empresarial, mas não em proporção igual, não só o aumento da concorrência entre as cadeias logísticas que influência este aspecto, fatores como lucro, preservação ambiental, legislação e grau de conhecimento do cliente sobre tecnologias, o acesso a elas e a importância da preservação influenciam isso.

‘Logística Reversa é um processo no qual um fabricante sistematicamente recebe produtos ou partes, expedidos anteriormente, do ponto de consumo para possível reciclagem, remanufatura  ou descarte. Um sistema de logística reversa incorpora uma cadeia de suprimentos que tenha sido redesenhada para gerenciar o fluxo de produtos ou partes destinadas para remanufatura, reciclagem ou descarter e para usar os recursos efetivamente.’

DOWLATSHAHI (2000, p. 01)

Entretanto com a propagação de temas e artigos sobre a Logística Reversa  (o verbete “logística reversa” retornou mais de 67 mil resultados na ferramenta de busca google.com em português, acesso em 03 jan. 2011), é mais fácil citar exemplos da logística reversa pós-venda e pós-consumo.

Para ilustrar de maneira bem simples são exemplos clássicos da logística reversa pós-venda os sistemas de retorno:

a- Dos cascos de vidro (garrafas) de cervejas e refrigerantes.

b- Dos paletes (pallets), cestos aramados (racks)  e de outras embalagens retornáveis nas operações de abastecimento das montadoras pelas auto-peças.

c- Dos contêineres (containers) tipo ISO  de propriedade dos armadores.

d- Dos Garrafões (galões) plásticos de água mineral.

e- Dos Botijões de Gás Butano (GLP) usados em residências (13 Kg) e no comércio (45 Kg).

f- As garrafas de leite, o exemplo clássico do Milk Run, com a substituição da embalagem de vidro pelo saco plástico e posteriormente pelo leite em embalagem longa vida caiu em desuso, outro exemplo são as leiteiras usadas na coleta de leite cru no sistema tradicional.

g- Dos equipamentos para conserto ou recondicionamento.

h- Dos equipamentos  e materiais diversos para troca.

i- Das devoluções por qualquer outra razão.

 LEITE (2003) cita alguns  outros exemplos de sistemas de Logística Reversa de Pós-Venda:

- Revistas e Jornais,  Livros,  Retorno do e-commerce,  Retorno do Varejo e  (também) Embalagens Retornáveis.

Estes exemplos citados anteriormente são itens retornáveis, que podem fazer o fluxo inverso, mesmo que não seja exatamente o mesmo fluxo, mas envolve o mesmo uso e/ou segmento de empresa, na maioria dos casos (não todos) sem modificação da natureza fiscal daquilo que retorna, isto quer dizer que o retornável não se transforma e há um cliente específico para cada fluxo desenhado e gerenciado.

A principal característica da logística reversa pós-venda é que esta utilizará na maioria das vezes a mesma (ou quase a mesma) cadeia logística da venda (entrega).

Já logística reversa pós-consumo reveste-se de outros aspectos, para ilustrar são exemplos da logística reversa pós-consumo:

a- Embalagens de alumínio que são coletadas por diversos agentes (amassadas ou prensadas) e vendidas para empresas que as revendem para serem fundidas (derretidas) e injetadas posteriormente (por exemplo) para serem usadas com o mesmo propósito ou outros fins.

b- Embalagens plásticas que são coletadas por diversos agentes, (prensadas, lavadas, picadas e extrudadas),  por exemplo, para serem usadas com o mesmo propósito ou outros fins.

c- Coleta de papel e papelão para serem processados e usados para a fabricação de  papéis dos mais variados tipos e para diversas aplicações, mesmo que sejam as mesmas.

A explicação dos outros aspectos da logística reversa pós-consumo é muito simples:  nos exemplos acima o produto foi consumido, sua função ou utilidade original se exauriu por questões técnicas ou de viabilidade econômica e foi transformado (sucatas de alumínio, flocos plásticos, aparas e sucatas de papel/papelão, etc.)  não sendo mais aplicável para seu uso inicial sem que passe por outro processo ou vários processos industriais.

A matéria-prima é o que até pode retornar para a mesma empresa que a empregou, entretanto as transformações ocorridas no processo são de reciclagem. A reciclagem é, portanto um item do pós-consumo,isto caracteriza a a logística reversa do pós-consumo.

Na maioria das vezes utilizará cadeias reversas bem distintas da cadeia da entrega (venda) original.

 DAHER, SOTA SILVA e FONSECA (2003)  identificam que estes processos são a Administração da Recuperação de Produtos  ou Product Recovery Management (PRM) e os autores explicam (OP. CIT.) que a reciclagem é a recuperação do produto no seu nível mais baixo (matéria-prima).

A inversão do fluxo logístico depende da viabilidade econômica do processo, da viabilidade de infra-estrutura regional e local, este fluxo também pode ser afetado pela capilaridade da operação, do valor do produto, do valor de valores agregados ao produto ou da matéria-prima que constitui o produto (em termos de custos para obtenção e transformação, viabilidade da reciclagem e/ou aspectos legais).  

A capilaridade da operação pode ser explicada como sendo aquela onde há muitos intermediários, normalmente envolve na cadeia final o consumidor, pessoa física. O maior impacto neste caso, além do custo onde o consumidor arca totalmente com o valor da embalagem, é o impacto ambiental, pois as embalagens acabam sendo descartadas como lixo se não houver um sistema de reciclagem desenvolvido.

Como exemplo pode ser citado o palete (pallet) de madeira não retornável (one way) usado na exportação, se a madeira de reflorestamento aumentar de preço e não haver alternativa de outros materiais os paletes serão retornáveis tal qual ocorre com os contêineres tipo ISO.  

A logística reversa não se aplica apenas com embalagens, como foi visto nos exemplos anteriores, entretanto é o maior uso atual e grande foco da crítica ambiental, pois as embalagens são uma grande fonte de resíduo pós-consumo.

‘No caso de retorno de produtos de pós-venda ou não consumidos o retorno se dará através da própria cadeia de distribuição dos mesmos, o que de certa forma poderá facilitar a sua organização. O retorno para assistência técnica de produtos em geral, o retorno crescente no comercio eletrônico pela Internet, a flexibilidade crescente do varejo na troca dos produtos e de recuperação de falhas, etc., são alguns exemplos destas cadeias reversas.’

LEITE, 2009

 Dowlatshani (2000, p.9) explica que a logística reversa tem sete fatores operacionais, um  fator externo que é o cliente e seis fatores internos e cada um destes tem dois componentes e que podem ser vistos à seguir.

 

Figura 1- Adaptado de DOWLATSHAHI, Shad. Developing a Theory of Reverse Logistics. EUA, Kansas: HW Bloch School of Business and Public Administration, INTERFACES 30: 3, Maio-Jun. 2000 p. 143-155. Artigo em PDF, p.01-13, 13 set. 2000.

O mesmo autor (op. Cit.) explica que o cliente, que é quem dirige e norteia a cadeia é influenciado por sua cultura e conhecimento dos benefícios que a logística reversa traz e que os fatores internos podem variar muito de importância de empresa para empresa.

ROGERS e TIBBEN-LEMBKE (1998, p. 184) apresentam as diferenças  entre os varejistas e os fabricantes por tipo de disposição:

Disposição Varejista Fabricante
 Enviar para a central de processamento 29.2% 17.7%
Revenda no estado  21.4% 23.5%
Reembalada e vendida como nova 20.5% 20.0%
Remanufaturado/Recondicionado 19.9% 26.7%
Venda para distribuidor 16.8% 10.1%
Venda para atacado 14.5% 12.8%
Reciclado 14.1% 22.3%
Aterro 13.6% 23.8%
Doação 10.6% 11.8%

ROGERS e TIBBEN-LEMBKE (1998, p. 184)

 Conclusões

É mais fácil identificar um cliente, demandante e responsável pela cadeia na logística reversa pós-venda e são estas cadeias as mais gerenciadas pois usam normalmente a mesma cadeia de distribuição usada na venda ou muito semelhante a esta.

No pós-consumo a capilaridade é maior e mais difícil de dimensionar o lucro ou viabilidade econômica da cadeia,  por isso é menos comum identificar um cliente ou responsável pela cadeia. Isso implica  em cadeias pós-consumo com menor grau de gerenciamento.´

 Só será possível ocorrer operação de logística reversa pós-consumo com a maturidade das empresas para compreenderem os benefícios no longo prazo, como por exemplo nas operações de remanufatura.

Portanto não podem ser classificadas como logística reversa as operações simples de coleta e de reciclagem sem o gerenciamento da cadeia, sem a gestão de um norteador.

Bibliografia

BALLOU, Ronald  H. Logística Empresarial: Transportes, Administração de Materiais e Distribuição Física. São Paulo: Atlas, 1993.

DOWLATSHAHI, Shad. Developing a Theory of Reverse Logistics. EUA, Kansas: HW Bloch School of Business and Public Administration, INTERFACES 30: 3, Maio-Jun. 2000 p. 143-155. Artigo em PDF, p.01-13, 13 set. 2000.

LEITE, Paulo Roberto. Logística Reversa. Apresentação do Power Point. Leite Consultoria, 30 maio 2003. Disponível em http://pessoal.utfpr.edu.br/anacristina/arquivos/Logistica%20Reversa.ppt, acesso em 15 jan. 2011.

LEITE, Paulo Roberto. Logística reversa: categorias e práticas empresariais em programas implementados no Brasil: um ensaio de categorização. CLBR – Conselho de Logística Reversa do Brasil, disponível em http://www.clrb.com.br/artigos.php, acesso em 15  jan. 2011. CONGRESSO ENANPAD 2005,

LEITE, Paulo Roberto. Logística Reversa: A complexidade do retorno de produtos. CLBR – Conselho de Logística Reversa do Brasil, disponível em http://www.clrb.com.br/artigos.php, acesso em 15  jan. 2011. Revista Tecnologística, dez. 2009.

DAHER, Cecílio Elias; SOTA SILVA, Edwin Pinto de La; e FONSECA, Adelaida Pallavicini . Logística Reversa: Oportunidade para Redução de Custos através do Gerenciamento da Cadeia Integrado de Valor.  Brasília: Universidade de Brasília, Faculdade de Estudos Sociais Aplicado – FA, agosto de 2003.

ROGERS. Dale S. e TIBBEN-LEMBKE,  Ronald S. Going Backwards: Reverse Logistics: Trends and Practices. EUA, Reno: University of Nevada, Center for Logistics Management – Reverse Logistics Executive Council, 1998.

TOSO JÚNIOR, Reinaldo. A Logística no âmbito da História. Disponível em: http://br.monografias.com/trabalhos913/logistica-ambito-historia/logistica-ambito-historia.shtmlhttp://www.edigital.com.br/index.php?option=com_content&view=article&id=93:a-logistica-no-ambito-da-historia&catid=56:logistica&Itemid=30/////// e também em http://tecnociencia.inf.br/tecnico/reitoso.

Reinaldo

O apanhado de textos e obras citadas é conforme o artigo 46, inciso IV da Lei número 9.610 de 19 de fevereiro de 1998 da República Federativa do Brasil. É destinada para uso exclusivo dos alunos em sala de aula ou em aula à distância. Proibida a comercialização e a utilização fora do ambiente escolar/acadêmico. Imagens quando recolhidas da internet são para fins didáticos. Links/fontes no rodapé das imagens.
 
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